Ronda da Governança #29
Governança à beira de burnout
Conselhos de administração podem estar em risco para exaustão, segundo um estudo da EY. A partir de relatos de 20 conselheiros independentes, a consultoria afirma que as estruturas tradicionais de governança têm dificuldade em lidar com o atual ambiente corporativo, que é marcado por volatilidade e novas demandas.
O aumento da carga de trabalho, o avanço das pautas não financeiras e a pressão por engajamento com investidores sobrecarregam os conselhos. Cerca de 30% dos entrevistados acreditam que o modelo centralizado é pouco eficaz para reagir rapidamente às mudanças, e 41% dizem que os conselhos nunca discutem temas ligados à inteligência artificial, por exemplo.
De acordo com Jeanne Boillet, líder global de auditoria da EY, os conselheiros estão se sentindo “sobrecarregados” e com dificuldade de manter a supervisão e o olhar estratégico. Para ela, o modelo atual de governança está sob pressão e precisa ser repensado.
Impasse sobre o futuro de Elon Musk na Tesla
O empresário Elon Musk pode deixar a cadeira de CEO da Tesla na próxima semana. O alerta é da presidente do conselho da companhia, Robyn Denholm à Reuters. A medida será efetivada se o novo pacote de remuneração de Musk -- avaliado em até US$ 1 trilhão -- não for aprovado pelos acionistas em votação no dia 6 de novembro.
Em carta aos investidores, Denholm defendeu que o plano de remuneração baseado em desempenho foi elaborado para manter Musk à frente da Tesla por pelo menos mais sete anos e meio. Segundo ela, a liderança é “crítica” para o sucesso da empresa, principalmente por causa das ambições de se tornar referência global em inteligência artificial e tecnologia autônoma.
O plano, apoiado pelo conselho, prevê 12 parcelas de opções de ações atreladas a metas de desempenho, inclusive uma capitalização de mercado de US$ 8,5 trilhões. A governança da Tesla é criticada pelo conselho ser próximo a Musk, e um tribunal de Delaware anulou neste ano o acordo de remuneração anterior, já que foi negociado por diretores sem plena independência.
Alerta de governança na Novo Nordisk
A Novo Nordisk Foundation, principal acionista da farmacêutica dinamarquesa, assumiu um controle sem precedentes sobre a empresa após fazer uma reformulação no conselho de administração. A Reuters mostra que a fundação, que detém 77% dos direitos de voto, substituiu o presidente do conselho e outros membros independentes, com a justificativa de que eles não reagiram com rapidez suficiente à perda de participação da companhia no mercado americano.
Com essa mudança, Lars Rebien Sorensen — ex-CEO da Novo Nordisk e atual presidente da fundação — também passou a presidir o conselho da empresa e agora acumula funções pela primeira vez na história do grupo. Analistas e investidores afirmam que a dupla função concentra poder demais nas mãos de Sorensen e coloca em risco a independência entre a fundação e a empresa.
Para o presidente da Associação Dinamarquesa de Acionistas, Mikael Bak, é necessário retomar a independência do conselho e limitar o acúmulo de cargos. Ele defendeu que um novo presidente independente seja nomeado em até 18 meses.