Artigo 01/10/2025

Ronda da Governança #28

Homens brancos voltam a ser maioria em conselhos do S&P 500

Pela primeira vez desde 2017, homens brancos voltaram a ocupar a maioria das novas cadeiras em conselhos de empresas do S&P 500. São quase 55% das nomeações feitas até setembro, segundo a ISS-Corporate.

O movimento escancara a queda na presença feminina. De 44% em 2022 caiu para um terço neste ano. O mesmo acontece com as minorias étnicas, que passaram de 44% em 2021 para 20%.

Esse cenário coincide com a ofensiva do governo de Donald Trump contra políticas de diversidade, equidade e inclusão. Desde o início do segundo mandato, companhias como Disney, Meta e Target reformularam ou acabaram com programas desse tipo diante da pressão da Casa Branca.


Justiça dos EUA derruba regra da Nasdaq sobre diversidade em conselhos

Um tribunal de apelações da Louisiana derrubou a regra da Nasdaq de obrigar diversidade nos conselhos de administração das companhias listadas. A medida, que foi aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, em inglês) em 2021, exigia pelo menos uma mulher e uma pessoa de minoria racial ou LGBTQ nos conselhos, além da divulgação pública da composição.

Segundo a decisão, não existe regra no mercado de capitais que obrigue companhias a justificar a falta de diversidade em seus conselhos. Grupos conservadores e parlamentares republicanos contestam a medida da Nasdaq. Para eles, é “onerosa e arbitrária”.

A Nasdaq disse que não vai recorrer, mas reforçou que a medida tinha como objetivo padronizar informações para investidores e empresas. O julgamento ocorre em meio a um cenário de revisão das políticas de diversidade nos EUA, após decisões judiciais e pressões políticas que levaram empresas como Ford, Harley-Davidson e John Deere a reduzir programas de diversidade, equidade e inclusão.


SEC estuda flexibilizar frequência de divulgação de resultados

O presidente da SEC, Paul Atkins, disse à Reuters que investidores e bancos podem ajudar a definir a frequência adequada para a divulgação de resultados de companhias listadas. Na última Ronda da Governança, você vê mais detalhes da proposta de Donald Trump de acabar com os relatórios trimestrais. Para ele, o mercado tende a exigir informações no ritmo que faça sentido para cada empresa.

Atkins não apresentou um cronograma para a mudança, mas disse que propor uma revisão das regras atuais seria um caminho possível neste momento. A ideia de reduzir a periodicidade dos relatórios foi sugerida por Trump em 2018, e o presidente americano voltou a defender recentemente nas redes sociais.